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Que diferença você vai fazer na minha vida?

A pegunta que me desafiou...

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Que diferença você vai fazer na minha vida?

O ano devia ser 1995. Eu estava em minha sala, que na verdade era a biblioteca da escola, afinal eu era a “professora de biblioteca”, como carinhosamente meus alunos me chamavam, quando recebi mais uma turma para a nossa aula semanal de Literatura Infantil e Juvenil. Uma aluna nova chegou com a turma de nono ano (na época ainda se chamava oitava série). Enquanto eu explicava como seriam nossas aulas. Ela ficou boa parte do tempo quieta, me olhando, olhar firme e fixo em minha direção. Quase me desconcertando. Até que quando acabei de explicar como seriam nossas aulas de leitura e literatura, ela virou e falou: “beleza, eu adoro ler, gostei da tua proposta, mas quero saber qual a diferença que você vai fazer na minha vida, vai ser mais uma professora de literatura que fala de livros de forma morna ou vai marcar minha vida?”.  Fiquei sem reação por alguns segundos, talvez minutos, até que disse: os livros que vamos ler, nossos papos sobre livros e vida, as histórias…. acredito que tudo isso vai marcar nossas vidas para sempre. Resposta possível para o momento, mas fui embora com a pergunta daquela menina de 14 anos martelando em minha cabeça: qual a diferença que você vai fazer na minha vida?
Descobri que a nova aluna pertencia a uma família de leitores, de artistas, gostava de ler, de escrever, talvez por isso a pergunta desafiadora. Pergunta que me fez renovar o olhar e me preocupar ainda mais do que eu já me preocupava: como fazer a diferença, como levar para a sala de aula algo que realmente tocasse o coração e a alma de meus alunos? Eu queria colaborar para que aquelas crianças e jovens pudessem se tornar seres humanos mais felizes, mais completos, mais preparados para lidar com os reveses da vida. Por isso, a partir dos livros conversávamos sobre diversos assuntos. Não tínhamos frescuras nem restrições. Falávamos sobre absolutamente qualquer tema, sem rodeios, mas sempre levando em conta o respeito pelo ponto de vista de cada um. Pelas singularidades. Pelas histórias de vida e família de cada um. Sempre pensando em como a literatura poderia abrir novos horizontes em nossas vidas. Não foi à toa que essa mesma turma me pediu que organizasse um debate sobre temas polêmicos com eles. Como eu só tinha um tempo de aula por semana com cada turma, perguntei por que não pediam para a professora de português organizar esses debates, já que ela tinha cinco tempos de aulas semanais com a turma. Para minha surpresa a resposta foi imediata: “Ah! professora, não dá né? Você é a única professora que fala com a gente sem ficar de nhénhénhé… você fala com a gente sobre a vida de um jeito que ela não fala. E pra um debate desses tem que ser você!”. Essa foi mais uma fala dos jovens que me pedia reflexões e amadurecimentos. Num mesmo ano duas experiências fortes, que me mostraram estar no caminho certo. Juntar literatura, vida, sentimentos, muita conversa e respeito. E gente, é claro! Tudo isso junto, só pode dar certo, pode acreditar!

 

Algumas perguntas de alunos nos fazem pensar, e muito!

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