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Meu Primeiro Grande Livro

Artigo para a Revista Carta Fundamental.

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Meu Primeiro Grande Livro

Menina inventadeira que fui, desde muito cedo livros e histórias já faziam parte de mim, mas foi aos dez anos que li A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga, que mudou completamente a minha vida. O ano era 1976 e eu estava na quarta série. Quando li a história da Raquel, a personagem do livro, me identifiquei de cara, afinal, ela tinha as mesmas vontades que eu: ser menino, ser gente grande e ser escritora. Queria ser menino, porque naquela época meninas não podiam fazer muitas coisas sem as pessoas ficarem falando. Queria ser gente grande para ninguém mandar nas minhas vontades. E queria ser escritora para poder inventar e viver outras vidas. Eu era apenas uma menina, mas sabia que isso era possível. Mas o melhor mesmo era poder guardar meus desejos numa bolsa amarela, inventar amigos e dialogar com eles. Só que no alto dos meus dez anos nunca imaginei que um dia iria conhecer Lygia Bojunga, muito menos ficar sua amiga e ter meu livro de infância autografado por ela.
É… Quem diria que aquela menina leitora da escola um dia se tornaria escritora? Obrigada, Ruth, minha querida professora da quarta-série. Obrigada por me apresentar um livro que me fez acreditar que meu sonho um dia poderia virar realidade! Mas a vida é curiosa. Há pouco tempo reencontrei um amigo que estudou comigo e me perguntou como eu podia ter me tornado escritora tendo lido “aquele livro tão esquisito”. Por incrível que pareça, o livro era A Bolsa Amarela. Essa é a magia da literatura: encanta a uns, intriga a outros.
Ter crescido lendo Lygia e outros bons autores foi fundamental para eu entender que livro bom é aquele que a gente pode morar na história. Esses livros alimentaram minha imaginação de forma arrebatadora. Por isso, fiquei encantada quando li o que Lygia escreveu em seu texto Livro – a troca: “como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra – em algum lugar – uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.” Ela pode ter certeza que com os tijolos que fabricou, eu construí casas sólidas, que vento nenhum vai conseguir derrubar. Porque construí casas por dentro, na alma e nos sonhos. E foi assim que um dia escrevi A história de Clarice, um livro que dialoga com A Bolsa Amarela e com mais duas histórias da minha infância: O soldadinho de chumbo e A vendedora de fósforos. A teia de livros, escritores e histórias se enredando pela vida afora… Puro encantamento!

 

Artigo para a Revista Carta Fundamental, em dezembro de 2011.

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